Data: Domingo, 23 de Abril de 2017
Local: Berlengas, Peniche
Temperatura da água: 15 ºC
Mergulhos: 5 e 6
Diving Buddy: Rui Barbosa
Mistura: Ar comprimido
Ao longo de toda a vida meti água mas só agora com o mergulho começo a ver os peixinhos. Ainda sou um novato nisto e a minha capacidade para distinguir espécies está na fase mais básica: Se tiver barbatanas e escamas, deve ser peixe, fora isso ou são moluscos ou marisco. Fácil.
Tive curiosidade pela visita às Berlengas desde que comecei outros mergulhadores a falar dos melhores "spots". Além das Ciés, Madeira e ponto "G", diziam ser um dos que mais prazer dava. E surgiu a oportunidade, nem hesitei.
A viagem obrigou-me a acordar de madrugada para estar cedinho na ilha, fomos um grupo de 9 zombies ensonados a caminho da ilha. Pelo meio apanhamos um barco, deu jeito, os carros flutuam mal. Viagem calma, mar "flat", tivemos sorte diziam os experientes.
Da ilha já tinha visto várias imagem mas da faunanada sabia.
Lancei-me à água com o Rui e o resto do pessoal, pronto a avançar para o desconhecido. O desconhecido chamava-se "Primavera" e era um navio de carga italiano afundado em 1902, carregado de mármore. Foi ao fundo como uma pedra.
Descemos lentamente até o aglomerado de pedras se revelar. Muitas algas, vários polvos, uns "bitxos" com cores azuis muito bonitos (diria que eram peixes dado não terem barbatanas, ou escamas).
Tinhamos uma visão até 10 metros, dava perfeitamente para ver o imponente local, com a fauna, cheio de vida.
O Rui disse-me ter visto um cardume de peixes acima mas eu não vi. Desconfio que a garrafa dele tinha trotil...
Mas o melhor estava reservado para a tarde!
De tarde foi um mergulho de puro prazer, a atravessar uma gruta aberta de um lado da ilha até a uma baía do outro lado.
Pouco profundo mas extraordinário lugar! Cheio de polvos, solhas, marisco variado (daquele que aparece no arroz) e alguns corais.
Mas para mim, o que me convenceu foi a saída da gruta.
Na saída da gruta entrava uma luz azul fantástica que iluminava as paredes e enchia de cor os corais. As cores verdes, púrpura, amarelo reflectiam das paredes...e cardumes de robálos e douradas aguardavam-nos calmamentena saída.
Sentia-me a flutuar no espaço, dentro de um aquário gigante. Olhava para os cardumes com dezenas de peixes, nadar na corrente a um metro de mim e pensava:
"Que animal majestoso, tão brilhante, redondinho....na brasa com uma rodela de limão ia tão bem!" Estava com fome na altura, tinha umas bolachas no barco, que querem?
Ainda tentei fazer umas festas a um peixe mas claramente não querem cá confianças. Parvos.
Quando o mergulho terminou senti que tive a oportunidade de conhecer todo um novo mundo, bem aos nossos pés.
O grupo era fantástico e a camaradagem foi uma tónica constante.
Estar naquele lugar, só eu, os meus pensamentos e um oceano de silêncios em todo o lado. Priceless.
Recomendo. E já agora recomendo uma dourada assada, bem bom!
Por
Jorge Lopes
Algumas das imagens: